Um blog sobre uma poderosa filosofia prática

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Diferença entre o veículo mental e o intuicional

Neste vídeo você vê primeiro um robô dotado de um processador inferior e de um único canhão de tinta fazer um “smile”. Aquele desenhozinho redondo, com dois olhinhos e um sorriso. A seguir, você vê um outro robô, que em menos de um segundo - muito menos - pinta uma Monalisa estilizada.

É uma boa metáfora para a diferença entre o veículo mental - aquele que normalmente usamos para interagir com o mundo a nossa volta - e o intuicional, aquele que buscamos desenvolver quando, no Yôga Antigo, depois dos sete angas anteriores, sentamo-nos para meditar.

1/9/2008   Sem comentários

Exercícios de Yôga? Não. Técnicas de Yôga? Sim.

Certas palavras estão carregadas de significados que podem induzir a enganos. O termo exercício de certa forma está ligado a exercícios físicos ou - pior - aos chatos exercícios da escola.

Por isso, eu evito usar o termo “exercícios de yôga“. Nada no yôga é um exercício físico ou meramente físico. O mais exato é dizer “técnicas de yôga”. Técnica é a palavra que se adequa ao yôga com precisão cirúrgica, principalmente em se tratando de um yôga técnico.

Existe outro motivo importante para evitar isso.

A confusão é perfeita para que a Confederação de Educação Física efetive suas intenções de controlar a atividade de professor de Yôga.

Ora.

O dia em que eu vir uma faculdade de educação física ensinando mudrá, pújá, mantras, kriyás, yôganidrá, pránáyáma, bandhas ou mesmo um legítimo ásana então poderemos pensar em tocar nesse assunto.

De qualquer forma, o que motivou este post foi outra coisa. O Marco Carvalho, do Swásthya - A Cultura, convidou-me a compartilhar uma técnica de Yôga para que o leitor faça em casa.

Escolhi uma técnica respiratória bem simples pare perceber o prána, a energia vital que circula pelos canais energéticos, retirada do livro Faça Yôga (baixe grátis), de DeRose, e que qualquer um pode praticar em casa facilmente:

Prána é o nome genérico pelo qual o Yôga designa qualquer tipo de energia manifestada biologicamente. Em princípio, prána é energia de origem solar, mas podendo manifestar-se após a metabolização, ou seja, indiretamente, sendo, então, absorvido do ar, da água ou dos alimentos.

(…)

O prána é visível. Num dia de sol, faça pránáyáma e fixe o olhar no vazio azul do céu. Aguarde. Assim que o aparato da visão se acomodar você começará a enxergar miríades de minúsculos pontos brilhantes incrivelmente dinâmicos, que cintilam descrevendo rápidos movimentos circulares e sinuosos. Ao executar seus respiratórios mentalize que está absorvendo essa imagem de energia.

Esta técnica vai ajudar a você em todas as outras que exigirem a visualização do prána sendo absorvido.

O Marco convidou outros blogs e vou reiterar o convite, pois é muito importante que todos os outros também participem:

Participe!

16/8/2008   3 comentários

Yôga NÃO é zen; Yôga NÃO é zen; Yôga NÃO é zen

O objetivo do título - repetido três vezes - é a fixação da informação. Dizem que - para fixar algo importante - precisamos repetir isso pelo menos três vezes.

No caso, fiz isso no título principalmente porque o subconsciente tende a ignorar a palavra não.

Então vou repetir só mais uma vezinha em letras bem grandes:

Yôga NÃO é zen.

A única coisa que pode ser zen é o budismo e, ainda assim, uma única das muitas vertentes do budismo. Nem todo budismo é zen.

Se você encontrar um amigo que faz yôga e disser-lhe que o acha “super-zen” por praticar yôga, no mínimo ele achará que você é desinformado. Mas talvez até fique ofendido por conta das inúmeras vezes que ele já ouviu esse tipo de bobagem.

É comum que se coloque todas as culturas orientais em uma sacola só. Isso só faz com que você se passe por desinformado. Nada de errado em ser desinformado, mas sempre desconfie do senso comum.

Para se ter uma idéia do quanto isso é estapafúrdio, imagine as seguintes afirmações:

- Ei, que legal! Então você pratica yôga? Eu tenho um outro amigo que é bem zen também.

É o mesmo que você encontrar alguém e dizer:

- Ei, que legal! Então você joga peteca? Eu tenho um outro amigo que conserta carros também.

O exemplo não é exato, mas é bem por aí.

9/8/2008   1 comentário

Shakespeare conhecia o conceito de karma?

Talvez não com esse nome, mas certamente conhecia o conceito.

Leia este trecho de Macbeth:

MACBETH - Se, fazendo-se a coisa, tudo estivesse feito, então seria melhor que fosse feita depressa. Se este assassinato pudesse entravar suas conseqüências e alcançar, com seu fim, o êxito; se somente este golpe pudesse ser a substância e o fim último aqui, ainda que apenas aqui, neste banco de areia do tempo, arriscaríamos a vida que virá. Mas nos casos como este, somos sempre julgados aqui mesmo. Outra coisa não fazemos senão ensinar lições sangrentas que, uma vez aprendidas, voltam-se para golpear o preceptor; a justiça parcial apresenta a nossos lábios o conteúdo de uma taça por nós envenenada.

Macbeth é considerada uma das mais sombrias peças de Shakespeare. As companhias que a encenam não costumam se referir a ela pelo nome - considerado de mau agouro. Chamam-na de “A Peça Escocesa”.

Vejamos o que se encontra sobre ela na Wikipedia:

Macbeth é uma tragédia escrita por William Shakespeare. Está entre as suas peças mais conhecidas, e é a sua mais curta tragédia. Acredita-se que tenha sido escrita entre 1603 e 1606. É encenada frequentemente, tanto por amadores quanto por profissionais, e seu texto foi adaptado inúmeras vezes para óperas, filmes, livros e mesmo outras peças. Tido como arquetípica, a peça fala dos perigos da sede de poder, e da traição entre amigos. Nesta trama Shakespeare se baseou superficialmente nos relatos históricos do rei Macbeth da Escócia feitos por Raphael Holinshed e pelo filósofo escocês Hector Boece.

Naturalmente muito mais poderia ser dito sobre esse texto.

21/7/2008   3 comentários

Yôga para atletas

Há poucos anos - talvez pouco mais de dez -, a idéia de yôga e a idéia de esportes eram distantes. E não havia razão para que isso acontecesse.

Embora o yôga não seja um esporte e nem tenha como meta contribuir para um melhor desempenho esportivo, nada impede que esse melhor desempenho esportivo aconteça graças às técnicas do yôga.

Leia este trecho do artigo do professor Nilzo Andrade:

Os alunos que surfam nos falam que suas manobras ficam mais fluidas, e o aumento da capacidade respiratória faz com que a passagem da arrebentação em mar grande fique mais fácil. Os escaladores percebem mais concentração na superação das vias e maior domínio emocional para as decisões. A moçada do skate consegue fazer monobras mais ousadas, superando seus limites. E, de uma maneira geral, comentam que o maior alongamento, flexibilidade e tônus muscular diminuem a incidência de entorces e lesões.

Algumas das melhores aulas que tive durante o Curso Seqüencial de Yôga Antigo, na Universidade Estadual de Ponta Grossa, foram com o professor Nilzo Andrade.

Ele é vice-presidente da Federação de Yôga do Paraná e foi responsável pela cadeira de Ética.

De maneira inteligente, ele usou os Yamas e Niyamas - prescrições e proscrições yôgins - para a matéria. Mas isto é assunto para um outro artigo.

8/7/2008   2 comentários